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Como se tornar santo

O caminho da canonização na Igreja Católica

Todos os fiéis cristãos, de qualquer condição e estado, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.

— Concílio Vaticano II, Lumen Gentium 40

Santo é todo aquele que vive no céu com Deus. O cânon dos santos, porém, inclui as pessoas que a Igreja reconhece como dignas de veneração e imitação.

Processo atual de canonização

  1. Período de esperaO processo começa com um período de espera de cinco anos após a morte do candidato, permitindo uma avaliação mais objetiva. Em alguns casos, o papa pode dispensar esse prazo.
  2. Investigação diocesanaUm requerente procura um postulador para iniciar a causa. O bispo local abre a causa, e o candidato passa a ser chamado de “Servo de Deus”. Um tribunal reúne provas sobre a vida e as virtudes da pessoa.
  3. Aprovação da Sé ApostólicaA Sé Apostólica pode conceder um “nihil obstat”, indicando que não há objeção à causa de canonização.
  4. Dicastério para as Causas dos SantosO processo prossegue em Roma, onde um relator reúne as provas. Um relatório chamado “Positio” é apresentado, e teólogos e bispos votam sobre a causa.
  5. Declaração de venerabilidadeO papa pode declarar a pessoa venerável, reconhecendo suas virtudes heroicas ou seu martírio.
  6. BeatificaçãoÉ preciso confirmar um milagre atribuído à intercessão do venerável. Então, o papa declara a pessoa “Beata”.
  7. CanonizaçãoExige-se um segundo milagre. O papa declara que a pessoa passa a integrar o cânon dos santos.

Evolução histórica

  • Cristianismo primitivoOs mártires eram reconhecidos como santos logo após a morte. Bispos ou comunidades locais veneravam essas pessoas sem um processo formal.
  • Período medievalNo século X, a Igreja começou a centralizar o processo de canonização. O papa João XV o formalizou em 993, tornando o papa a autoridade final.
  • Concílio de Trento (1545–1563)Afirmou a invocação e a veneração dos santos (Sessão 25) e reforçou a autoridade da Igreja para declará-los santos.
  • Papa Urbano VIII (1625)Proibiu a veneração pública de um candidato antes da canonização oficial e uniformizou o processo.
  • Código de Direito Canônico de 1917Trouxe maior clareza, inclusive sobre as funções do postulador e do promotor da fé (o “Advogado do Diabo”).
  • Papa João Paulo II (1983)Simplificou o processo e reduziu o número de milagres exigidos. A função do “Advogado do Diabo” perdeu importância.

Somente Deus pode tornar alguém santo. A canonização é o reconhecimento da santidade. É um decreto da Igreja, emitido depois que os investigadores reúnem provas de que uma pessoa está no céu com Deus.

O processo de canonização continua sendo uma profunda expressão da fé da Igreja na comunhão dos santos, unindo os fiéis na terra aos que já chegaram ao céu. Ele ressalta o chamado universal à santidade e confirma que ela é possível e alcançável em qualquer estado de vida.

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